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domingo, 22 de janeiro de 2017

"Semente germinou já começa a existir"

Fazem duas semanas eu descobri que estava grávida, depois do susto, senti uma felicidade indescritível. Uma vontade de gritar pro mundo o meu milagre, dançar uma ciranda, agradecer a Deus, as Deusas, Buda, o Universo e seu poder incrível de nos trazer todos esses sentimentos.
Mas, enfim, a vida é a vida em sociedade, e nos dizem que devemos manter segredo até o fim do primeiro trimestre... e sigo mordendo lábios até Março chegar.
Refleti sobre esse segredo imposto às mulheres, e o quanto eu o via como "não quero olho gordo na minha gravidez", e depois refleti mais um pouco e percebi que essa foi a melhor desculpa que encontrei pra não encarar a verdadeira razão pela qual as pessoas não querem que contemos de nossos milagres tão cedo.
Sim, há mais chances de perda do bebê no primeiro trimestre, e sofrer um aborto é uma dor que só cabe no coração da mãe que viveu a perda, mas quando ela passa por isso, tem que disfarçar, aceitar, enxugar as lágrimas, ir trabalhar como se nada tivesse acontecido, afinal ninguém sabia que ela carregava seu milagre no ventre. Ninguém sabe da perda desse milagre, da dor emocional, todos pensam que ta tudo bem porque era cedo, ela pode tentar de novo... um novo bebe nunca substituirá aquele que foi perdido, será amado e celebrado, mas ainda não será o mesmo. E a mulher que passa por essa dor, as vezes passa anos sem contar pra ninguém da dor que passou, sem receber um abraço acolhedor, sem ter uma amiga pra enxugar suas lágrimas... algumas vezes nem seu companheiro sabia, quando se tem o companheiro do lado.
Mais uma das mil obrigações femininas nesse mundo machista: segurar a onda, não ser histérica, não chorar, ver o lado bom de tudo, sofrer quieta e sozinha, ninguém quer ter que aturar esse mimimi... Sinto os olhares julgadores a minha volta quando falo naturalmente: "desculpa, vou ter que parar pra comer porque estou grávida e não consigo mais esperar pra comer." das próprias mulheres, elas mesmas esperam uma outra postura de mim, que eu esconda minha fome, me esconda pra fazer os lanchinhos, que eu não comente do meu milagre, pois é cedo pra comemorar...
Não. Não é cedo. É hoje e sempre que comemoramos, a semente ta ali, crescendo, depois de anos, depois de desistirmos, depois de ter achado que nunca aconteceria comigo... só a gente sabe a dor e a alegria da jornada que nos trouxe até aqui... só eu sei o sabor das minhas lágrimas e o quanto eu amo as minhas gargalhadas espontâneas quando penso em nomes, cheiros e cores.
A vida é esse lance ai, essa aventura que acontece entre o nascer e o morrer, e tudo que posso fazer agora é ser feliz, me alimentar bem, cuidar da minha sementinha com tudo que ela merece, valoriza-la desde o dia 1. Porque ela é bem vinda! Vem em mim milagre da natureza, pó das estrelas, meu bebe de luz, resultado de um amor lindo, pode vir feliz que estamos alegres com a sua vinda desde sempre!

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